TARZAN, DE EDGAR RICE BURROUGHS


Tarzan

Tarzan foi criado pela imaginação do escritor norte-americano


Antes de tentar a sorte como escritor, Burroughs tentou ganhar a vida numa série de ocupações, entre as quais, policial, mas fracassou em todas elas. Aos trinta e cinco anos de idade, tinha uma família para sustentar e estava praticamente falido. Assim, tentou a carreira de escritor.
Ele conseguiu vender suas histórias para serem publicadas em revistas de literatura barata então muito populares nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX. Assim, a primeira história de Tarzan foi publicada em outubro de 1912, no romance Tarzan of the Apes ( Tarzan dos Macacos ), numa revista chamada All-Story. Foi um sucesso imediato e Burroughs escreveu vinte e quatro romances sobre o herói das selvas. O escritor enriqueceu, pois detinha os direitos autorais sobre sua criação. Por outro lado, alguns dos artistas que desenharam os quadrinhos para jornais (tiras diárias e páginas para suplementos dominicais) reclamavam que ganhavam pouco, pois a maior parte do lucro ia para Burroughs, e após sua morte em 1950, para seus herdeiros.
Burroughs nunca havia posto os pés na África. O escritor também não se preocupou em pesquisar seriamente sobre o continente africano para escrever as aventuras de Tarzan. Para criar as aventuras de Tarzan, usou apenas sua fértil imaginação e buscou inspiração nos livros de aventura de escritores como Rudyard Kipling, autor de O livro da selva (também conhecido como O livro da Jângal, numa tradução de Monteiro Lobato) e H. Rider Haggard, autor de As minas do rei Salomão.
Na obra de Kipling, ambientada na Índia, o personagem principal era Mogli, o menino-lobo, uma criança órfã adotada por lobos. Para se diferenciar da obra de Kipling e não ser acusado de plágio, Burroughs fez três alterações significativas: mudou a ambientação da Índia para a África, enquanto Mogli foi adotado por lobos, Tarzan foi adotado por macacos, e enquanto Mogli era uma criança indiana, Tarzan era filho de uma família de aristocratas ingleses. Em comum com os livros de Haggard, a obra de Burroughs tinha a ambientação na África e elementos como cidades e tesouros perdidos.
O personagem apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos. Outros escritores também escreveram obras com o herói: Barton Werper, Fritz Leiber, Philip José Farmer etc.
Tarzan é filho de ingleses, porém foi criado por macacos (“manganis”, na linguagem dos símios, criada por Burroughs) na África, depois da morte de seus pais. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke. Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa “Pele Branca”. É uma adaptação moderna da tradição mitológico-literária de heróis criados por animais. Uma destas histórias é a de Rômulo e Remo, que foram criados por lobos e posteriormente fundaram Roma.
A visão da África criada por Burroughs tem pouco a ver com a realidade do continente, pois ele inventa que a selva africana esconderia civilizações perdidas e criaturas estranhas. Burroughs, entretanto, nunca esteve na África.
Em 7 de Janeiro de 1929, Tarzan ganhou sua tira diária, distribuída pelo The Metropolitan Newspaper Service (mais tarde United Feature Syndicate) e desenhada inicialmente por Hal Foster. Abaixo, os primeiros episódios diários.
Tarzan na África

Por Hal Foster (desenhos) e R.W. Palmer (roteiro):
01- “Tarzan of the Apes” (iniciada em 07/01/29);
Por Rex Maxon (desenhos) e R.W. Palmer (roteiro):
02- “The return of Tarzan” (iniciada em 10/06/29);
03- “The beasts of Tarzan” (iniciada em 19/08/29);
04- “The son of Tarzan” (iniciada em 25/11/29);
05- “Tarzan and the jewels of Opar” (iniciada em 17/03/30);
06- “Tarzan and the Lost Empire” (iniciada em 14/07/30);
07- “Tarzan and the Golden Lion” (iniciada em 20/10/30);
08- “Tarzan, Lord of the Jungle” (iniciada em 09/02/31);
09- “Tarzan at the Earth’s core” (iniciada em 01/06/31);
10- “Tarzan the Terrible” (iniciada em 21/09/31).
Antes da década de 1930, os quadrinhos publicados em jornais eram, em sua grande maioria, de teor cômico ou humorístico (daí os quadrinhos em inglês serem chamados de comics). A adaptação de Tarzan para tiras de jornal foi uma das primeiras séries de quadrinhos de aventura a se tornar popular entre leitores de jornais do mundo inteiro. A depressão econômica que se seguiu à quebra da bolsa de Nova York em 1929 não impediu que as tiras de Tarzan continuassem fazendo sucesso.
O sucesso foi imediato, e as primeiras tiras diárias do Tarzan começaram a ser publicados por jornais americanos já em 17 de junho de 1929, com desenhos de Rex Maxon, que passou logo depois a realizar também especiais dominicais. O criador do personagem de romance Tarzan – Edgar Rice Burroughs – não gostava do trabalho de Maxon.
A página domical surgiria em 15 de março de 1931. Abaixo, os primeiros episódios dominicais, por Rex Maxon (desenhos) e R.W. Palmer (roteiro):

Tarzan desenhado por Rex Maxon

01- “The perils of Bob and Mary Trevor” (15/03/31 – 20/09/31);
Por Hal Foster (desenhos) e R.W. Palmer & George Carlin (roteiro):
02- “Hawk of the desert” (27/09/31 – 20/12/31);
Por Hal Foster (desenhos) e George Carlin (roteiro):
03- “Tarzan’s first Christmas” (27/12/31);*
04- “Tarzan and the fox” (03/01/32);*
05- “The dance of victory” (10/01/32);*
06- “Aboard a slave ship” (17/01/32);*
07- “The baby of the apes” (24/01/32);*
08- “The black pit!” (31/01/32);*
09- “Hulvia the Beautiful” (07/02/32 – 17/04/32);
10- “Lenida the Lion Tamer” (24/04/32 – 05/06/32).

Assim, Tarzan voltou a ser desenhado por Hal Foster, em setembro de 1931.
Os apreciadores da Nona Arte tiveram então a oportunidade de acompanhar a série pelo magistral quadrinhista até 1937, quando Foster passou a se dedicar integralmente à sua maior criação: o Príncipe Valente.
A obra de Burroughs teve uma seqüência muito feliz, em termos de desenho: quem sucedeu Foster foi Burne Hogarth, o desenhista mais conhecido de Tarzan, que manteve a autoria da série até 1945. Outros que tiveram destaque com o personagem, posteriormente, foram Russ Manning e Joe Kubert.
Dezoito livros de Tarzan foram publicados no Brasil pela Companhia Editora Nacional a partir de 1933, na lendária coleção Terramarear. As traduções foram feitas por importantes escritores, como Monteiro Lobato, Godofredo Rangel, Manuel Bandeira e outros. Na década de 1970, a Editora EBAL relançou desses oito volumes, com capas de Burne Hogarth.
Tarzan, O Filho das Selvas; A Volta de Tarzan; As Feras de Tarzan; O Filho de Tarzan; O Tesouro de Tarzan; Tarzan na Selva; Tarzan, O Destemido; Tarzan, O Terrível; Tarzan e o Leão de Ouro; Tarzan e os Homens Formigas; Tarzan, O Rei da Jângal; Tarzan e o Império Perdido; Tarzan no Centro da Terra; Tarzan, O Invencível; Tarzan Triunfante; Tarzan e a Cidade de Ouro; Tarzan e os Homens Leopardos; Tarzan, O Magnífico.
Tarzan de Burne Hogarth

QUADRINHOS

Harold Foster foi o primeiro artista a desenhar Tarzan: em 1929 foram publicadas as sessenta tiras diárias de “Tarzan of the Apes”; Foster só voltaria ao personagem em 1931, desenhando páginas dominicais coloridas. Ele é responsável por várias inovações de inspiração cinematográfica: campo e contra-campo, grandes planos e contra-luz. Ele seguiu fielmente os livros de Burroughs e nunca usou balões e, sim, textos incorporados aos quadrinhos. A partir de 1937, Foster foi substituído por Burne Hogarth, o maior ilustrador do herói. Influenciado por Michelângelo e pelo expressionismo alemão, Hogarth utilizou seus conhecimentos de anatomia para mostrar uma explosão de músculos, um turbilhão de movimentos, paisagens atormentadas mas vibrantes, selvas fantasmagóricas e raízes com formas monstruosas. Ele desenharia essas páginas até 1950, quando foi substituído pelo também importante Bob Lubbers, mas voltou em 1972, com uma nova versão da história de Tarzan em forma de livro.
Rex Maxon começou uma longa série de aventuras de Tarzan ainda em 1929, quando Foster se recusou a desenhar “The Return of Tarzan”. Dono de um traço duro, que melhorou com o tempo, Maxon desenhava tiras diárias, distribuídas para os jornais do mundo inteiro, mas se encarregou também de páginas dominicais durante vinte e oito semanas em 1931, enquanto Foster não voltava. Maxon desenhou Tarzan até 1947.
A partir de 1968, no entanto, tanto as tiras diárias quanto as páginas dominicais foram entregues a outro artista genial: Russ Manning, que também desenhou as histórias de Korak, o filho de Tarzan. Mestre absoluto do preto e branco, Manning desenvolveu uma visão moderna do herói, sem os barroquismos de Hogarth. Vários outros desenhistas se dedicaram ao personagem, muitas vezes anonimamente: Joe Kubert, Dan Barry, John Lehti, Reinman, Ruben Moreyra, Jesse Marsh, John Celardo, John Buscema, Bob Lubbers etc. Dentre os autores, destaca-se Gaylord DuBois. Poucos artistas conseguem capturar a essência da figura humana em sequências de ação como Joe Kubert. Seu expressivo talento encontra-se plenamente exposto nas HQs do Tarzan da década de 1970.
Tarzan apareceu em muitas revistas em quadrinhos em vários editoras.
Em 1947, o personagem foi publicado pela Dell Publishing/Western Publishing.
O Tarzan da Dell pouco tinha haver com os livros Edgar Rice Burroughs, era mais parecido com o Tarzan dos cinemas.
Em 1962 a parceira entre a Dell e Western foi desfeita, logo foi criado pelo Western, o selo Gold Key Comics Tarzan foi um dos títulos publicados pela Gold Key
Em 1972, a DC consegue a licença de Tarzan e inicia uma série de quadrinhos produzida por Joe Kubert, a primeira edição da revista é a número 207, continuando a numeração da Dell
Em 1977, a DC publica seu último número de Tarzan, encerrada na edição 259, nesse mesmo ano o personagem passa a ser publicado pela Marvel Comics, na Marvel a numeração é reiniciada, a revista teve 29 edições e possuia arte de John Buscema.
Em 1992 e 1993, a Malibu publicou nos EUA algumas edições de Tarzan para logo passar os direitos à Dark Horse, atual editora das HQs do Homem Macaco. A editora também fez um ótimo trabalho em adaptações fiéis aos romanos e crossowers como Tarzan vs Predador e Batman/Tarzan e Superman/Tarzan (publicadas no Brasil pela editora Mythos e Pandora Books). Também coube à Dark Horse publicar a quadrinização do longa animado Tarzan, da Disney, além de relançar encadernados com as HQs de Joe Kubert da década de 1970.
Origem inverossímil e mensagem neocolonialista
Nos quadrinhos, a origem de Tarzan foi recontada de maneira bastante fiel ao primeiro romance de Burroughs: a trama do romance original começa em 1888. John Clayton, também conhecido como Lorde Greystoke, viaja com sua esposa, Alice, da Inglaterra para uma colônia britânica na África; durante a viagem, os marinheiros realizam um motim e o casal é abandonado numa selva africana, onde constroem uma casa na árvore; Alice, que estava grávida, dá à luz John Clayton II. Após um ano, a esposa enlouquece, adoece e morre; a cabana é invadida por macacos e o Lorde Greystoke é morto pelo macaco Kerchak, o sanguinário líder dos símios, o bebê de um ano do casal inglês é encontrado e adotado por uma macaca chamada Kala, que acabara de ter perdido o seu bebê após tê-lo deixado cair de uma árvore.
Criado pelos macacos mangani, a criança cresce acreditando ser um deles, mas sofre por ser fisicamente diferente. O herói só começa a descobrir sua verdadeira origem ao desobedecer à ordem dos macacos de não se aproximar de uma área proibida: a cabana onde havia nascido. Lá, encontra os esqueletos de seus pais, do filhote de Kala e descobre um novo mundo graças aos livros e fotos que encontra. Com o passar do tempo, aprende até a ler e a escrever associando imagens e letras. Na cabana, o herói também encontra uma faca e percebe numa luta com um gorila que, na habilidade de manipular objetos, reside sua superioridade sobre as feras. E é graças a essa habilidade que, mais tarde, Tarzan vence Kerchack e se torna o Rei dos Macacos.
Após descobrir que não é um macaco, Tarzan encontra outros humanos, porém de pele escura: os membros de uma tribo das redondezas. Logo percebe que, assim como as figuras da cabana, eles não andam nus. É daí que passa a usar sua famosa tanga de leopardo – na trama, ela foi roubada do nativo que matou Kala com uma flecha envenenada. Quando se torna adulto, Tarzan salva um grupo de americanos deixados na costa por marinheiros amotinados. Entre eles está Jane Porter (por quem o herói se apaixona) e Willian Clayton, primo de Tarzan e herdeiro do título de Grystoke. Um detalhe: William e Jane estavam noivos. Após um breve romance e posterior desencontro com o herói, Jane volta à civilização com seu noivo, deixando o homem macaco para trás. Tarzan só deixa a floresta mais tarde, levado pelo Tenente D’Arnot, um francês que o herói salvou dos canibais. Ele ensina ao Tarzan a falar francês e inglês e os modos da civilização. No final da obra, Tarzan renuncia a seu amor e título e retorna para a África, por achar que seu primo poderia dar a Jane uma vida melhor.
Foi só no romance seguinte – O Retorno de Tarzan – que o herói passou a viver com Jane.
A origem de Tarzan é totalmente inverossímil, mas é justamente em algumas de suas inverossimilhanças é que percebemos uma mensagem de teor neocolonialista, sem falar numa pitada de racismo: Tarzan é filho de ingleses, mas mesmo órfão e privado do contato com outros seres humanos, consegue provar a suposta “superioridade” do homem branco ao superar os grandes macacos em inteligência, a ponto de se tornar o líder deles (após matar Kerchak numa luta), e os igualar em força física (o que o torna mais forte que qualquer ser humano, inclusive os negros das tribos próximas ao seu lar).
No primeiro romance escrito por Burrroughs, Tarzan consegue até aprender a ler e escrever sozinho: ao encontrar a cabana onde os pais biológicos viviam, descobre alguns livros no antigo escritório do pai e começa a tentar decifrar os textos e pratica exercícios de caligrafia. Ou seja, a história de Tarzan reflete uma visão de mundo marcada pelo determinismo biológico (o que está intimamente ligado ao darwinismo social): seriam os genes, a ascendência, é que determinariam o sucesso e não o meio social.
No Brasil
Tarzan no Brasil pela EBAL


No Brasil, a primeira publicação do herói deu-se a partir do número 31 do Suplemento Juvenil, em 10 de Outubro de 1934, com Tarzan, O Filho das Selvas, a história desenhada por Harold Foster cinco anos antes. Com o sucesso, as tiras foram reunidas no álbum “A Primeira Aventura de Tarzan em Quadrinhos”, relançado em 1975 pela EBAL. Em seguida o Suplemento Juvenil passou a publicar A Volta de Tarzan e depois histórias de Rex Maxon e Burne Hogarth. O primeiro número da revista dedicada exclusivamente ao herói data de julho de 1951 e trazia uma foto de Lex Barker na capa. A revista seria a mais duradoura da história da EBAL, tendo sido editada, de várias formas em cores, em preto e branco, formatinho, formato americano, tamanho padrão, mensal, bimestral etc., até 1989.
Tarzan – 1ª Série de 1954 a 1959 (com 100 edições); Tarzan – 2ª Série de 1959 a1965 (com 100 edições); Tarzan – 3ª Série de 1965 a 1974 (com 100 edições); Tarzan – 4ª Série de 1974 a 1977 (com 38 edições); Tarzan – 5ª Série de 1977 a 1980 (com 36 edições); A 12ª série de Tarzan iniciou-se em Out/84, ficou interrompida de Jan a Dez/88,retornando em Jan/89 e encerrando em Fev/89 no nº 35.
A Coleção Lança de Prata seguiu a numeração da revista mas com numeração própria (nº14= 1ºlivro ao nº23=10ºlivro).Tarzan – 12ª Série de 1984 a 1989 (com 35 edições) Tarzan (Edição Super T) – 3ª Série de 1980 a 1981 (com 12 edições); Tarzan (Em Cores) – 1ª Série de 1969 a 1971 (com 13 edições); Tarzan (Em Cores) – 2ª Série de 1972 a 1976 (com 42 edições); Trata-se, na verdade, da revista “Tarzan em cores” em formato reduzido. Tarzan (Em Formatinho) – 1ª Série Ebal Edgar Rice Burroughs, Inc 1976-1983 81
A EBAL lançou também diversas edições especiais:
• 1973 – Tarzan, O Filho das Selvas, o livro quadrinizado por Burne Hogarth em 1972
• 1974 – Coleção Tarzan em dois volumes (A Origem de Tarzan e A Volta de Tarzan), ilustrados por Joe Kubert
• 1975 – Tarzan, de Harold Foster, a primeira história com o herói
• 1975 – Coleção Tarzan/Russ Manning, em cinco volumes, com as páginas dominicais de 1968 a 1972
• 1976 – Edição Gloriosa em dois volumes (O Mundo que o Tempo Esqueceu e O Poço do Tempo), ilustrados por Russ Manning
• 1978 – O Livro da Selva, adaptação do romance O Tesouro de Tarzan em três volumes, com ilustrações de John Buscema e roteiro de Roy Thomas
• 1980 – O Massacre dos Inocentes, com ilustrações do artista espanhol Jaime Brocal Remohi
• 1980 – O Lago da Vida, com ilustrações de José Ortiz
Além de títulos próprios, Tarzan participou de crossovers com o Batman (publicado pela Mythos Editora) e Superman (publicado pela Pandora Books).
A Editora Abril publicou histórias baseados no filme animado da Disney.
Entre 2002 e 2003, tiras de Russ Manning foram publicadas nas edições #1 e #2 da revista Stripmania da Opera Graphica.
Em maio de 2010, a Devir Livraria anuncia o lançamento da versão traduzida de Joe Kubert, englobando em um único volume do número 207 ao 214, com introdução do próprio autor. Em 2011, a Devir Livraria lança o segundo volume: A volta do Rei das Selvas e outras histórias.

Quadrinhos e o Neocolonialismo

As histórias em quadrinhos ajudaram a popularizar uma visão estereotipada e fantasiosa da África e da Ásia. Entre essas histórias, merecem destaque as aventuras dos heróis Tarzan, Mandrake, Fantasma, Jim das Selvas e Pantera Negra. Os três primeiros foram criados quando a Grã-Bretanha ainda possuía um império colonial, o último quando vários países africanos e asiáticos já haviam se declarado independentes.
Tais histórias em quadrinhos refletiriam qual visão: a dos colonizadores e exploradores europeus e norte-americanos ou a dos povos nativos da África e da Ásia? Podemos dizer que Tarzan seria um agente a serviço do neocolonialismo? Haveria ainda nesses quadrinhos mensagens racistas? Vale a pena revisar o conceito de neocolonialismo.

Neocolonialismo

Em fins do século XIX, as potências européias começaram a reivindicar e conquistar terras na África e na Ásia. Neocolonialismo foi o nome dado ao conjunto de políticas expansionistas e imperialistas praticadas pelas potências européias nos continentes africano e asiático a partir da década de 1880. O prefixo “neo” que significa “novo” é para distinguir essas políticas do “velho colonialismo”, aquele iniciado no século XVI, como consequência das Grandes Navegações, das quais Portugal e Espanha foram as potências pioneiras.
Para justificar a dominação européia na África e na Ásia, os europeus recorriam a argumentos científicos. O problema é que o discurso dominante na ciência do século XIX estava contaminado pelo racismo, dois exemplos disso são o “darwinismo social”, uma interpretação equivocada e distorcida da teoria formulada pelo naturalista inglês Charles Darwin. Assim, segundo a visão racista da época, brancos europeus eram “superiores” ou “mais evoluídos” que os “negros” africanos. Ainda dentro dessa visão racista, a “raça amarela”, da qual fariam parte chineses, japoneses, coreanos e outros povos asiáticos seria também “superior” aos negros, mas ainda “inferior” aos brancos.
O Neocolonialismo teve início numa época em que muitos achavam que a “era dos impérios” havia terminado, pois com os processos de independência política dos países americanos, as potências colonialistas européias acabaram perdendo colônias que possuíam neste continente. Ledo engano, os avanços tecnológicos trazidos pelas duas primeiras revoluções industriais (das quais a Grã-Bretanha foi pioneira, o que permitiu que o Império Britânico se tornasse o maior de sua época) e a busca por mercados e matérias-primas para os produtos industrializados ampliaram a presença européia nos continentes africano e asiático.
Exemplo disso é que nas primeiras décadas do século XIX, a presença européia na África limitava-se a algumas possessões nas áreas costeiras, mas no fim do mesmo século, quase todo o continente africano estava sob domínio de nações européias. A disputa por possessões no continente africano chegou a tal ponto que, em 1885, foi realizada a Conferência de Berlim, na Alemanha, durante a qual foi realizada a partilha da África, ou seja, foram demarcadas fronteiras para decidir quais “pedaços” da África teria por “direito” cada potência européia.

0 Comentários